Investigação em Arte
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01

 

Águeda Simó
Art, Science and Technology as a Multicellular Organism
Interdisciplinarity, the Symbiotic Approach of Evolution and the Associative  Basis
of the Creative Process


Abstract
Symbiogenesis, the primary force in evolution according to Lynn Margulis, is a model from which artists and scientists could learn to holistically integrate the different disciplines that configure art, science and technology in the twenty-first century. These disciplines should be in a continuous interaction to symbiotically contribute to the evolution of human creativity and knowledge.
I would also like to draw a parallel between the structure and the processes of the human brain, and the practice of interdisciplinary research in art, science and technology, with a focus in Interactive Art and Virtual Reality. Research in human computer interaction offers a very good framework for interdisciplinary research because of the diversity of the areas involved and its broad field of applications.

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António Quadros Ferreira
A Escola de Arte como Lugar de Ensino e Investigação

Resumo
Partindo da ideia enunciada por Yves Michaud de que as funções primordiais de uma escola de arte consistem na tríade: “apprendre, pratiquer, produire”, é previsível que tanto a arte como a escola de arte se entendam na aplicação, sistemática, e simultânea, do princípio de que se faz pensando e se pensa fazendo. O ensino artístico universitário parece implicar, então, e necessariamente, a investigação como sentido de uma estratégia de produção do conhecimento.
Ao pensar-se em ensino de arte com investigação artística está-se a admitir a possibilidade de desenvolvimento de competências e conhecimentos avançados nos diferentes campos artísticos, cruzando as componentes de investigação e de criação, desse modo produzindo conhecimento contemporâneo novo.
É explorando a especificidade da natureza da investigação artística que melhor se pode avançar na compreensão da relação entre a prática e a teoria, na definição de áreas de investigação próprias. Porque, justamente, se o acto criador é, desde o seu início, um acto de investigação, o ensino universitário artístico exigirá a convergência entre ensino e investigação.
A investigação artística é, pois, inerente ao acto criativo. Acto criativo contido no ensino da arte, e nos propósitos matriciais do aprender-a-aprender. O ensino-aprendizagem em arte é, consequentemente, o ensino-aprendizagem de um aprender-a-aprender-a-investigar. Só desse modo é possível augurar um paradigma enunciador tipificadamente de acordo com a escola de arte integral: a de que o seu ensino só se cumpre em estratégia de implícito acto de investigação.

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Christine Zurbach
A interdisciplinaridade na investigação artística: modo de usar.

Resumo
A comunicação apresenta uma reflexão em torno do conceito de interdisciplinaridade aplicado à investigação artística, com incidência na questão das fronteiras do seu uso em termos epistemológicos e metodológicos. Nem sempre aplicada com rigor, trata-se de uma abordagem comummente aceite, que surge frequentemente como uma resposta cómoda e algo superficial dada pelo analista confrontado com a complexidade do(s) seu(s) objecto(s) de estudo. Entendida como processo aberto de conhecimento, a interdisciplinaridade potencia a construção de novas abordagens que permitem evidenciar os novos problemas que novos objectos levantam, nomeadamente no território da arte contemporânea, aberta ao experimentalismo e à inovação sistemática. O campo de referência para esta reflexão será o da criação teatral.

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Clara Menéres
Modelos de investigação em arte

Resumo
No campo da investigação em arte, os modelos que mais me interessam são aqueles que se relacionam com as expressões visuais e plásticas. A inteligência visual tem regras específicas capaz de construir estruturas do entendimento que a distingue dos processos racionais e dedutivos puros. É necessário relacionar os modos sensoriais e dedutivos na apreensão de universos cada vez mais interactivos e múltiplos porque “A actividade artística constitui uma forma de raciocínio no qual a percepção e o pensamento estão indissociavelmente ligados” (Rudolf Arnheim).
Nas sociedades modernas, o progresso tecnológico alterou os pressupostos das culturas tradicionais e engendrou estruturas relacionais que deram origem a um novo enquadramento da criação artística (Bernard Stiegler). A construção de modelos visuais está relacionada com a interpretação do meio em que nos movemos que tem vindo a ser alterada pelo progresso tecnológico, gerando novas percepções do tempo e da velocidade e induzindo o acidente (Paul Virilio) ou a catástrofe (René Thom). É neste contexto civilizacional que podemos avaliar modelos de pesquisa próprios de uma produção artística contemporânea.

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Claudia Giannetti
Arte e tecnologia. A faceta do engano

Resumo
A reprodução da realidade através dos meios técnicos — como as diversas máquinas de visão, da cámara obscura até a fotografia e o cinema — marcou profundamente a cultura ocidental. A técnica da ilusão buscava o fascínio visual mediante a reprodução fiel da natureza. Com o desenvolvimento das técnicas digitais, se produz a importante transição do processo de reprodução ao de produção: a visualização do processo interno da máquina. Os mundos gerados artificialmente se liberam, portanto, da obrigação de seguir o modelo de universo e natureza realistas.

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Francisco Laranjo

Resumo
Num contexto da criação plástica, diversos são os processos, as estratégias e os meios de se instituírem reflexões propiciadoras e potenciadoras de investigação autónoma e sólida não conflitual ou paralela ao próprio processo de criação sem se subalternizar em espaços onde outros concorrentes e interessantes domínios do pensamento contemporâneo s  têm ancorado numa deriva inócua quando não menos interessantes de consequências para um mais interveniente forum da investigação interdisciplinar. Procurarei enunciar estas relações no contexto da situação internacional da arte.

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Hugo Ferrão

Resumo
A comunicação propõe aproximações à problemática da investigação artística no contexto da cibercultura. Referimos a pós-humanidade e o triunfalismo tecnológico, como aceleradores de rupturas epistémicas, geradoras da solvência das constelações disciplinares que instauram tecno-imaginários baseados no sincretismo indiscriminado. «Cientificação» do discurso artístico e a matriz da «sedentarização científica» em oposição à «nomadização artística». O papel interventor da investigação artística na humanização e democratização das demotecnocracias. O CIEBA – Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes, uma unidade de investigação e desenvolvimento da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, sua estrutura, estratégia e política de internacionalização. Património, especificidade e articulação entre arte, ciência e tecnologia. Principais projectos.

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Idalina Sardinha
Os novos territórios da investigação e da lição

Resumo
Às Universidades cabe, hoje (num tempo em que a virtualização e deslocalização de os espaços de investigação, ensino e debate se ampliam e ganham novas naturezas), a criação/organização de novos e estratégicos clusters de conhecimento, apetrechados para a produção e transmissão de ciência estruturante, o mapeamento continuado de toda a produção de inovação (em todas as áreas) e da criação/consolidação de novas plataformas de reflexão e excelência, refundadas no aprofundamento de as visões críticas e na reinterpretação do cultural e do social. A (re)territorialização do estético-artístico, que aparentemente impregna todas as áreas do conhecimento e o nosso quotidiano, não nos deverá fazer esquecer que, quer na investigação, quer no ensino, quer na fruição de esse mesmo estético-artístico, se deverá privilegiar essencialmente a experienciação (ainda que uma experienciação diversa) em detrimento da mais imediata visualização/ recepção, sobretudo no que se refere à criação e às suas formas de concretização mais actuais.

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João Dixo
Investigação Artística Universitária – Estado da Arte Nacional

Resumo
Costumo dizer que se retira muita vantagem para a docência, do facto de se ser profissional daquilo que nos propomos ensinar, bem como reciprocamente, também se retira vantagem profissional como artista plástico pelo facto de se ensinar (investigando e reaprendendo constantemente com as aulas e com os alunos). O acto de ensinar ou mais correctamente de tentar ajudar a aprender, obriga aquele que ensina a colocar-se na pele do outro (aqui – o aluno). Aquele que aprende investiga o que lhe tentam ensinar.
Actualmente existe um crescente interesse nas pessoas ligadas a actividades de investigação, díspares, de cruzarem informação, de trocarem conhecimentos que perspectivam um “potencial colectivo”, explorável de diferentes pontos de vista e interesses (para o que muito contribui a Internet).
Esta atitude, no seu processo de raciocínio e aplicabilidade, desenvolve uma inevitável inovação, segundo as diferentes prioridades das condicionantes de cada especialidade. Alarga-se em consciencializações diferenciadas e cataliza criatividades.
O mundo das artes formais, visuais ou plásticas desde o séc. XX, obrigado a uma inovação sistemática, aí encontra terreno fértil.
Convirá ao Ensino Universitário das artes não fazer parte desse “potencial colectivo”de investigação?

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Kathleen Rogers
Going beyond boundaries in practice based fine art research

Abstract
My presentation will introduce some of the debates and battles taking place over the terrain of the doctorate in fine art and link these historically and conceptually to the working methods of the artist Paul Klee and scientist, Edward Wilson’s visions of evolutionary biological formations. Klee’s notebooks on the Nature of Nature will be used to expand on themes of self-articulation and the phenomena of perceptual lucidity through the making of art. Klee went beyond art and science discipline boundaries to find alternative paradigms to narrate his inquiry methods. He used phenomenological forms of inquiry to build a complex biologic and philosophic method to reproduce phenomena of dynamic fluidic movement to replicate living growing matter. The scientist and theoretician, Edward Wilson argues for the need to search for ‘consilience’ that goes beyond the rigid culture of scientific method in the pursuit of the “unity of knowledge” based on a deeper synthesis and integration at a biological level of cells and sub-units of cells intimately tied to perception and the mind. There is a growing body of evidence emerging from research practices through making art that first person and phenomenological accounts related to embodiment and consciousness are touching on previously undervalued aesthetic methods in art and science research bringing about new coalitions and deeper collaboration between them. My presentation seeks to frame what might be perceived as the evolutionary aspects of these new and embodied forms of theoretical and creative knowledge in the context of practice based fine art research. My presentation aim is to inspire speculation on the future impact these “evolving forms” might have on fundamental teaching and learning provision within the fine art academy.

Spiller, J. (Ed.) (1973) Paul Klee: Notebooks: Volume 2: The Nature of Nature:
Lund Humphries: London
Wilson, E.O. (1998) Consilience: The Unity of Knowledge: Abacus.
Macleod, K. and Holdridge, L. (eds.) (2006) Innovations in Art and Design: Thinking Through Art: Refections on Art as Research: Routledge

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Luís Badosa

Resumo
Fabrikart es una publicación que surgió en el 2001, con el nacimiento del nuevo siglo, con el propósito de aglutinar el Arte con campos afines en relación a los nuevos tiempos que preveían ya un claro  dominio de las nuevas tecnologías derivadas de la aparición de la informática y su aplicación en la imagen digitalizada, así como un cambio sustancial de la sociedad en favor de una mayor valoración de la Naturaleza en un mundo globalizado y una mayor atención de los valores sociales que redunden en beneficio de una más justa distribución de la riqueza y mayor calidad de vida.
Las nuevas tecnologías inciden en todos los campos y el de la educación no es ajeno a los cambios sustanciales que se avecinan a través del denominado proceso de Bolonia que dirige los estudios de forma globalizada con el fin de validar unas titulaciones en amplias zonas geográficas y especializaciones idóneas a la demanda social, a la industrialización creciente y al mercado de trabajo.

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Mário Bismarck

Resumo
No actual enquadramento do ensino artístico universitário “pós- Bolonha”, esta comunicação não pretende esclarecer mas levantar questões sobre o que está em jogo:
O que interessa ao ensino da arte? É a criação artística o mesmo que investigação em arte? Pode haver investigação sem criação? Pode haver criação sem “investigação”?
A quem se adaptam os actuais “modelos” de investigação em arte? E quem exclui?
O que e como se avalia em arte? O que é avaliável (no parâmetro universitário): a obra ou o discurso sobre a obra? De que lado estamos: do lado da “acção” do fazer a obra ou do lado da “reacção” de quem vê a obra?
A experiência e o modelo pedagógico do Mestrado em Prática e Teoria do Desenho da FBAUP.

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Miguel Quílez Bach
De la investigación artística y su naturaleza

Resumo
"El arte no puede enseñarse, pero ciertamente, puede aprenderse", manifiesta Chillida en el transcurso de un coloquio que protagoniza la Facultad de Bellas Artes de Barcelona en 1982 y junto a esta actitud de signo activo, podría formularse: el arte no es solamente una forma de expresión, se constituye además en una forma singular de conocimiento. Aprovechar su ejercicio puede ser un medio capital, además, para el desarrollo de la capacidad perceptiva, la interpretación del entorno y la comprensión de los distintos lenguajes artísticos.
Cabe preguntarse por la razón que lo hace posible y hallaremos una respuesta básica en la revelación intuitiva de las ideas que proporciona el Arte y el carácter mágico que su sintética irracionalidad comporta. Se confirma pues, como un medio excelente, posiblemente el mejor para llegar hasta el conocimiento, cuando no, hasta el conocimiento puro del universo, como dejara anotado Schopenhauer, al afirmar que: "Es el arte la contemplación de las cosas independientes del principio de la razón".

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Miriam Tavares
Investigação em Artes: da teorização a criação e experimentação

Resumo
O CIAC, Centro de Investigação em Artes e Comunicação, tem como objectivo fundamental fazer investigação no campo das artes de uma forma mais activa e inovadora. Além do trabalho na área da formação teórica, o que inclui um processo contínuo de formação de mestres e doutores, aposta nos laboratórios onde será possível realizar projectos artísticos de carácter prático, que envolvam a participação de criadores na área da imagem de um modo geral. Alguns projectos que temos, em rede com universidades europeias e latino-americanas, estão voltados para o cruzamento entre arte e media no campo da criação bem como no campo da divulgação científica, através do lançamento de uma plataforma multimédia que permitirá um contacto constante entre universidades e criadores de diversos países.

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Olga Pombo

Resumo
Procuraremos situar a emergência da palavra interdisciplinaridade, indicar as suas zonas fundamentais de inscrição, avaliar o seu impacto na nossa contemporaneidade. Veremos porém que, se a interdisciplinaridade pode ser pensada como uma aspiração recente, a verdade é que aquilo que por essa palavra se diz corresponde a uma prática muito antiga. Pratica cuja eficácia heurística se alarga a todas as actividades humanas, incluindo muito especialmente a ciência e a arte.

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Paulo Reis
Modelos de investigação artística

Resumo
Pensar “modelos de investigação artística”, leva-nos a pensar as fronteiras e a criação artística como uma questão de estética transnacional. Leva-nos, inevitavelmente a pensar nas palavras de Gilles Deleuze de que “a única questão realmente relevante para a arte é sua relação para com a vida”. Premissa deontológica da arte, ao seguir os passos de Rimbaud nos Eu sou outros, dá corpo as considerações sobre a obra de artistas como Ângela Ferreira, Barthélèmy Toguo e Costa Vece, que tem como princípio e finalidade a ética transnacional. Contudo, estes artistas têm como objectivo a representação de um espaço comum, colectivo que é a arte contemporânea, no confronto com o real, permitindo a reflexão e o pensar das ligações e das divergências existentes entre o mundo real e o mundo desejado. Eis um modelo possível de flexibilização das experiencias pessoas /colectivas e pedagógicas da arte. A globalização, à medida que dissolve as barreiras da distância, torna o encontro entre o centro colonial e a periferia colonizada imediato e intenso. Este processo tem influenciado as artes visuais desde a mobilidade com que os artistas têm cruzado fronteiras, tomando contacto com novas realidades sociais, experiência de trocas e informações. Eis um dos possíveis “modelos de investigação artística”.

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Sílvia Chicó

Resumo
A investigação científica em arte difere quanto a processos e objectivos da investigação científica entendida na sua realidade processual, mas, progressivamente, recorre a meios comuns à investigação científica geral. Numa era multimédia e multisémica, as fronteiras diluem-se e os campos de manobra tendem a ser cada vez mais comuns. Há no entanto, que salvaguardar a especificidade do processo artístico, deixando ao investigador a máxima liberdade e gestão do processo, evitando que a grelha do poder avalie do mesmo modo sistemas diferentes, o que se está a revelar inibidor para o investigador artístico.

Fim
BPI FCT